O que é vibe coding? É criar software descrevendo o que você quer em linguagem natural e deixando uma inteligência artificial escrever todo o código, sem ler o que ela escreveu. Você dá a direção e julga o resultado pelo que aparece no navegador. No Brasil o assunto explodiu: segundo um levantamento da Locaweb, as buscas por "o que é vibe coding" cresceram 313% entre julho de 2025 e junho de 2026. Este guia explica de onde veio o termo, quais ferramentas são usadas, onde ele funciona e em que momento vira um risco para um app com clientes de verdade.
Se o seu app já está no ar e o código fica no GitHub, a última seção mostra como continuar mudando o app com revisão.
De onde veio o termo
Quem cunhou foi Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI e ex-diretor de inteligência artificial da Tesla, em um post no X de 2 de fevereiro de 2025. Ele descrevia um jeito de programar em que você se entrega totalmente à vibe e esquece que o código existe. Dois detalhes do post costumam ficar de fora e são os que melhor explicam a ideia: Karpathy aceitava todas as mudanças sem ler as diferenças, e achava isso aceitável para projetos de fim de semana, daqueles que se jogam fora.
A expressão pegou muito rápido. O Merriam-Webster registrou o termo como gíria em março de 2025, e o dicionário Collins escolheu vibe coding como palavra do ano de 2025, em 6 de novembro. Em português o termo fica em inglês, e a maior parte da imprensa usa o masculino, "o vibe coding". Traduções como "codificação de vibração", que aparecem em algumas páginas de empresas, vêm de tradução automática e não pegaram.
Vibe coding não é o mesmo que programar com IA
A distinção mais útil foi feita pelo programador Simon Willison em março de 2025: vibe coding é construir software com um modelo de linguagem sem revisar o código que ele escreve. Se um desenvolvedor usa IA, mas lê, testa e entende cada mudança antes de salvar, isso é desenvolvimento de software comum com uma ferramenta nova.
Um ano depois, o próprio Karpathy sugeriu outro nome para essa versão profissional e revisada: agentic engineering, em que uma pessoa coordena vários agentes de IA e faz a supervisão. Ele não abandonou o termo original; só o deixou para o que ele era, protótipos e experimentos.
Os números brasileiros mostram como a prática saiu da área de tecnologia. Em uma pesquisa da Locaweb com 363 profissionais de fora de TI, publicada em setembro de 2026, 45,1% disseram já ter usado IA para criar programas, sites ou sistemas, e 55,1% apontaram a segurança dos dados dos usuários como maior preocupação.
Como funciona na prática
Você abre uma ferramenta, escreve algo como "quero um app de agendamento para o meu salão, com login e um painel para a equipe", e em poucos minutos tem uma interface funcionando e um link para compartilhar. Se algo não agradar, é só pedir de novo.
| Ferramenta | Plano gratuito | Plano pago mais barato |
|---|---|---|
| Lovable | Sim | Pro, US$ 25 por mês |
| Bolt | Sim | Pro, US$ 25 por mês |
| Replit | Sim | Core, US$ 20 por mês |
| v0 | Sim | Plus, US$ 30 por usuário por mês |
| Base44 | Sim | Starter, a partir de US$ 16 por mês no plano anual |
| Cursor | Sim | Pro, US$ 20 por mês |
| Claude Code | Não | Incluído no Claude Pro, US$ 20 por mês |
Preços em dólar, consultados no site de cada fornecedor em 12 de outubro de 2026; no cartão brasileiro entra o IOF. As quatro primeiras criam apps do zero sem mostrar o código. Cursor e Claude Code foram feitas para quem trabalha com ele.
Onde funciona de verdade
- Testar uma ideia antes de investir nela. Um protótipo funcionando convence mais do que qualquer apresentação.
- Ferramentas internas pequenas, como um painel para a equipe que ninguém de fora vai ver.
- Páginas de campanha e sites institucionais que não guardam dados sensíveis.
Nesses casos a velocidade é o que importa, e errar sai barato.
Quando vira um problema
Tudo muda no dia em que o primeiro cliente de verdade se cadastra e começa a pagar.
O primeiro risco é a segurança. Em maio de 2025 foi publicada a vulnerabilidade CVE-2025-48757, sobre apps feitos no Lovable: o pesquisador analisou 1.645 projetos e encontrou 170 cujos bancos de dados podiam ser lidos ou alterados por qualquer pessoa, por causa de regras de acesso insuficientes. O Lovable contesta que a falha seja dele, já que cada cliente responde pela proteção dos dados do próprio app, e desde então incluiu uma verificação de segurança. O ponto central continua: se ninguém lê o código, ninguém confere essas regras.
O segundo é dar a um agente acesso à produção. Em julho de 2025, o agente do Replit apagou o banco de dados de produção da SaaStr no meio de um experimento de vibe coding; o CEO do Replit chamou o caso de inaceitável, e a empresa passou a separar os bancos de desenvolvimento e de produção. No mesmo mês, a empresa de segurança Wiz encontrou no Base44 uma falha da própria plataforma que permitia entrar em apps privados; ela foi corrigida em menos de 24 horas.
O terceiro é a manutenção. Um app cujo código ninguém entende fica frágil: mudar um preço pode quebrar outra página que você nem tocou, e você só descobre quando um cliente reclama.
Como aproveitar sem arriscar o seu app
- Guarde o código no GitHub, em uma conta da empresa e não na de uma única pessoa.
- Confira suas chaves. Se o app usa Supabase, a ferramenta gratuita do Refinar para verificar uma chave do Supabase mostra em segundos se a chave visível no site é pública ou secreta.
- Separe os dados de teste dos dados dos clientes, para não testar mudanças em contas reais.
- Peça para alguém que programa revisar qualquer mudança que mexa no login, nos pagamentos ou nos dados dos clientes antes de publicar.
E depois do lançamento?
O Refinar foi pensado para esse momento. Ele abre o seu app a partir do repositório no GitHub, do jeito que está, e roda tudo na nuvem. Você descreve a mudança com as suas palavras, ou aponta a parte da tela que quer mudar, e um agente de IA faz a alteração na sua frente, em uma cópia que funciona, antes de chegar aos clientes. O quarto item da lista acima faz parte do funcionamento: nenhuma mudança que mexa no login, nos pagamentos ou nos dados dos clientes é publicada sozinha, ela vai para um desenvolvedor. O resto você publica por conta própria ou envia para a equipe revisar (como funciona). Os planos começam em US$ 50 por mês (preços).
Se você começou o seu app com vibe coding e quer continuar melhorando com segurança, experimente o Refinar no seu app.